Ensaio anti-um

Por onde começar?

Essa é a primeira pergunta que me ocorre e, como todas as perguntas “fundamentais”, não serve para absolutamente nada. Não há começo e aqui não pretendo dar início a nada, esse site surge mais de um devaneio particular, do que qualquer pretensão intelectualóide que seja.

Escrevo, pois não saberia fazer outra coisa, trata-se, em última instância, de uma vontade descomunal de gritar aos berros e a plenos pulmões o que não digo e, talvez, sequer tenha coragem de dizer. Afinal somos todos homens do subsolo e aqui estou eu escrevinhando algumas notas.

Importante dizer, se é que não falo às paredes, que não há o desejo aqui de grandes revelações ou de que algo seja levado a sério, as letras que aqui lanço não se pretendem acadêmicas, informativas ou qualquer coisa que o valha.

Em Distrópicos, posiciono-me no avesso da distopia, um deslocamento da própria negação do ideal, um outro lugar da Razão. Tudo  aqui é tentativa, vivência e experimentação, somente o delírio permite a passagem suave pela concretude do Real.

Como diria Artaud, em um trecho de sua transmissão radiofônica “Para Acabar Com o Julgamento de Deus”:

O homem é enfermo porque é mal construído.
Temos que nos decidir a desnudá-lo para raspar esse animalúculo que o corrói mortalmente,
deus
e juntamente com deus
os seus órgãos

Se quiserem, podem meter-me numa camisa de força
mas não existe coisa mais inútil que um órgão.

Quando tiverem conseguido um corpo sem órgãos,
então o terão libertado dos seus automatismos
e devolvido sua verdadeira liberdade.
Então poderão ensiná-lo a dançar às avessas
como no delírio dos bailes populares
e esse avesso será
seu verdadeiro lugar.

Escritos de Antonin Artaud, L&PM, 1983, trad. Cláudio Willer.

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