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Fragmento I – Escrever como pintores

Tudo se passa como nas pinturas de Bacon: ali mesmo onde se espera o encerramento da forma em uma identidade, algo move, mancha, transborda, tornando-a inacabada. A imagem que fica é o resto, fecundo registro do que resiste registrar-se.

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Study Of A Man Talking,Oil on canvas, 1981 – Francis Bacon

E se, sem pudor, registramos isso, escrevemos não a forma, mas seu simulacro encarnado em um objeto estranhamente desvelado, cru, como em Lucian Freud:

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Sunny Morning–Eight Legs, 1997 – Lucian Freud

Algo excede, está fora de lugar. Escapa ao quadro um objeto que nos inclui desde fora apenas para devolver-nos ao fora como lugar – antropofagia.

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