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Fragmento II – Por Uma Antropologia do Fim

“Minha concepção é um antropomorfismo dilacerado.”[1]

 

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René Magritte, Monde invisible, 1954.

Não basta anunciar o fim dos tempos, é preciso vivê-lo, antropofagocitá-lo, engolfá-lo, sem o engodo fálico modernista, nacionalista, ou qualquer outro sentido do próprio. Nesse sentido, o único sentido que faz sentido é o foracluído – eterno retorno do Real (este que sempre lá nunca esteve). Ao fim uma antropologia que contrapontua o olhar de seu objeto a desejar, abjeta materialidade do limite.

Nota

[1] BATAILLE, Georges. O Culpado. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, p.47.

 

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Fragmento I – Escrever como pintores

Tudo se passa como nas pinturas de Bacon: ali mesmo onde se espera o encerramento da forma em uma identidade, algo move, mancha, transborda, tornando-a inacabada. A imagem que fica é o resto, fecundo registro do que resiste registrar-se.

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Study Of A Man Talking,Oil on canvas, 1981 – Francis Bacon

E se, sem pudor, registramos isso, escrevemos não a forma, mas seu simulacro encarnado em um objeto estranhamente desvelado, cru, como em Lucian Freud:

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Sunny Morning–Eight Legs, 1997 – Lucian Freud

Algo excede, está fora de lugar. Escapa ao quadro um objeto que nos inclui desde fora apenas para devolver-nos ao fora como lugar – antropofagia.